100 anos de amor à educação: pioneira de Brasília celebra trajetória

Publicada em: 18/07/2026 15:51 -

Na semana passada, Wilma Péres Trediccci comemorou 100 anos ao lado da família. Ela lembra a trajetória em Brasília, onde foi a primeira diretora da Escola Classe 06 de Taguatinga

Foi com o riso solto e acompanhada da família que a pioneira Wilma Péres Trediccci celebrou seu aniversário de 100 anos na segunda-feira, 13 de julho. Natural de Pouso Alto, município no sul de Minas Gerais, Wilma chegou a Brasília em 1960. Aqui, ela se fixou com o marido, o irmão e a cunhada em Taguatinga. Ao longo desses 66 anos na capital, ela viu surgirem as primeiras escolas. Movida pelo gosto pela educação, a pioneira trabalhou como professora e foi a primeira diretora da Escola Classe 06 de Taguatinga.

Para comemorar a data, os parentes se reuniram na casa de Wilma no domingo para cantar parabéns e comer o bolo. No dia do aniversário, balões roxos na frente da casa, vestígios da festa no dia anterior, recepcionava sobrinhos e netos que foram visitar e dar uma abraço na aniversariante. Todos lembram de como foi crescer perto da pioneira e contam como ela começou a trajetória na cidade. Ela se mudou para Brasília com a família no ano de inauguração da capital. À época, o governo cedia terrenos em algumas regiões a quem chegasse aqui. Foi dessa forma que Wilma, o marido, um de seus quatro irmãos e a cunhada conseguiram lotes vizinhos em Taguatinga. Assim, as duas famílias construíram suas casas lado a lado, fazendo com que os dois filhos de Wilma e os cinco do irmão crescessem próximos uns dos outros.

O sobrinho da pioneira José Dalmo Péres, 73 anos, conta que, como muitos brasileiros, a família veio à procura de oportunidade na cidade que surgia. "Eles vieram do sul de Minas, da borda mata, não tinham emprego bom. Eles queriam crescer na vida e, por isso, vieram para cá", conta. "Brasília era conhecida no Brasil como o futuro de muita gente". A mudança de Minas Gerais para a capital foi feita em um grupo grande de familiares. Entre eles estava Alberto Péres, um dos fundadores do Centro Universitário de Brasília (Ceub) e descrito por Dalmo como líder da família. Dalmo destaca a importância do trabalho da família na educação, seja em nível universitário ou no ensino infantil.

Quando perguntada sobre seus interesses, Wilma não hesita em falar sobre a paixão pelo trabalho. Logo que se mudou, ela atuou como professora na Escola Classe 01 de Taguatinga, primeira escola da região administrativa. Depois da construção da Escola Classe 06 de Taguatinga, que iniciou as atividades em 11 de março de 1963, e se tornou a primeira diretora da instituição. A pioneira ficou no cargo até a aposentadoria. Formada em pedagogia pelo Ceub, ela lembra com carinho dos vínculos criados ao longo de sua trajetória profissional. "Eu fazia amizade com as crianças e com os professores. Gostava muito de todos os pequenos", conta.

Além de presenciar o avanço da educação na cidade, Wilma acompanhou o crescimento de Taguatinga. Ela e a família viram, por exemplo, a pavimentação das vias principais na região. Antes, quando não tinha asfalto, os redemoinhos de poeira eram marcantes na paisagem. A sobrinha Denise Péres Pena, 68, lembra que passava o dia brincando na rua descalça e voltava com os pés sempre machucados de chutar as raízes das árvores. "Era muita bagunça nessa rua", afirma.

Outra lembrança especial da infância de Denise eram os almoços sempre muito saborosos na casa de Wilma. Ela pulava o muro entre a sua casa e a da tia para comer às 11h e depois voltava para a própria casa para almoçar de novo. A família, conta Denise, é muito unida. Nas férias de fim ano, todos íamos de kombi visitar o restante dos parentes em Pouso Alto. Segundo a sobrinha, a viagem era sempre divertida. Essas são algumas das memórias especiais vividas com Wilma, que Denise gosta de relembrar. "Foi muito bom passar a vida inteira ao lado da minha tia", fala.

A pioneira também é conhecida pelo bom humor. Ela recorda de como recebeu o convite para ser a madrinha de sua afilhada. A outra que ia assumir a responsabilidade estava viajando, restando para Wilma batizar a parente. "Passaram uma procuração para mim", brinca.  Muito ligada à tia, Denise descreve Wilma como a pessoa mais fantástica desse mundo e fala com orgulho do papel assumido por ela na história da educação de Brasília. "Nesse aniversário, nem desejei que ela viva 200 anos porque é muito", brinca a sobrinha.

Texto: Manuela Mariz de Sá - Estagiária sob supervisão de Márcia Machado

Foto: Marcelo Ferreira CB/DA Press.

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