Lula responde ao ‘tarifaço’ de Trump e garante apoio ao PIX

Publicada em: 18/07/2026 15:47 -

“Ninguém vai fazer a gente mudar o PIX. É público, é de graça e vai continuar assim”, escreveu o presidente em uma rede social nesta manhã. “Nossa soberania não se negocia”, assegurou o líder petista.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa do PIX, na sexta-feira, após os EUA oficializarem um novo tarifaço de 25% sobre os produtos brasileiros exportados. O sistema de pagamentos instantâneos tornou-se um dos principais alvos do governo norte-americano, que sustentou em uma investigação que o PIX cria condições desiguais de concorrência para empresas de pagamentos eletrônicos dos EUA.

Ninguém vai fazer a gente mudar o PIX. É público, é de graça e vai continuar assim”, escreveu o presidente em uma rede social nesta manhã. “Nossa soberania não se negocia”, assegurou o líder petista.

A investigação do governo norte-americano, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), serviu de fundamento para a imposição de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, que entra em vigor na próxima quarta-feira. O relatório afirma que as práticas adotadas pelo Brasil “oneram ou restringem o comércio dos Estados Unidos”.

Sistema

Segundo o USTR, o Banco Central (BC) exerce um papel duplo no sistema ao atuar simultaneamente como regulador e operador do PIX, o que, na visão dos EUA, gera um conflito de interesses e favorece um sistema administrado pelo próprio governo brasileiro.

Logo após os EUA oficializarem o novo tarifaço, o governo Lula também divulgou uma nota oficial criticando a decisão, que classificou como um “marco lastimável” na história das relações entre Brasil e EUA.

O comunicado da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) diz que o Executivo “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade” e “retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC)”.

Plano

Em linha com a posição do Planalto, após o tarifaço adicional dos EUA contra parte das exportações do Brasil, a Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou um plano de R$ 130 milhões, a ser lançado em agosto, para diversificar as vendas do Brasil no exterior e reduzir os impactos das tarifas estadunidenses.

Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a ApexBrasil informou que o plano será lançado em parceria com 57 setores econômicos do país, nas mais diversas áreas, que reúnem 2,4 mil empresas exportadoras.

— A expansão para outros mercados a gente já faz. O que a gente vai trabalhar agora é a diversificação. É um novo olhar sobre novas oportunidades a partir de um novo cenário do comércio internacional — pontuou, nesta tarde, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, em entrevista coletiva.

Crescimento

O chefe da agência estatal disse que as prioridades são o mercado da União Europeia, até pelo recente acordo com o Mercosul, além dos países que integram a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como Indonésia, Malásia, Tailândia, Vietnã, entre outros, e que apresentam altas taxas de crescimento.

Países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, também estão entre os possíveis novos mercados a serem explorados pelas empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço dos EUA.

— São países de alto crescimento e desenvolvimento, eles têm procurado muito o Brasil para parcerias em investimento e também porque têm uma população que está crescendo a 7% ou 8%, com população jovem, e que demandam, inclusive, produtos que o Brasil tem — concluiu.

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